Pense duas vezes antes de dar um pet de presente no Dia das Crianças - Pet é pop

Pense duas vezes antes de dar um pet de presente no Dia das Crianças

gato presente - Foto Pixabay



cachorro presente - Foto PixabayO abandono de animais no Brasil tem números alarmantes. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, há mais de 20 milhões de cães e mais de 10 milhões de gatos abandonados no país. E a falta de conscientização quanto à guarda responsável está no cerne da questão.

Em algumas datas comemorativas, como o Dia das Crianças, é comum famílias presentearem os pequenos com pets. O problema é que, na maioria dos casos, é um ato impulsivo, que resulta em abandono nas ruas ou devolução ao abrigo ou canil de origem.

“A adoção de um animal é um ato admirável de amor. O único problema é a falta de planejamento familiar antes de adotar ou até mesmo comprar um animalzinho, que é um ser vivo e depende das pessoas para sobreviver”, afirma o médico-veterinário Thomas Faria Marzano, presidente da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

Marzano destaca que devem ser levados em conta, entre outras coisas, a rotina e o estilo de vida da família, quem cuidará da limpeza e da alimentação do bichinho e até mesmo a quantidade de pets que já existem na casa.

Depois que passa a euforia

gato presente - Foto PixabayDe acordo com a médica-veterinária Cristiane Schilbach Pizzutto, presidente da Comissão Técnica de Bem-Estar Animal do CRMV-SP, existem diversos aspectos a serem considerados antes da introdução de um pet na família. Entre eles, o mais importante é serem atendidas as necessidades do animal.

“A pessoa tem um espaço adequado para o animal fazer exercícios, conhece as necessidades de alimentação e de passeios diários, no caso de cachorro? A família deve estar ciente também com relação às boas práticas de manejo e de higiene. É preciso lembrar de que os cuidados continuam depois que passa o momento de euforia da chegada do animal na casa”, enfatiza.

A médica-veterinária alerta para o fato de que a guarda responsável e o bem-estar dos animais são fundamentais. Portanto é preciso que as campanhas de conscientização sejam intensificadas.

“Animais não são objetos e não podem ser tratados como tal. Por isso, não se deve presentear alguém com um animal como se isso não fosse trazer consequências, como despesas e a necessidade de dispor de tempo. Se a família não estiver preparada, certamente, terá problemas.”

Eles têm sentimentos

porquinho-da-índia presente - Foto Pixabay

Um projeto de lei, recentemente aprovado no Senado, reconheceu os animais como seres sencientes, ou seja, capazes de sentir e vivenciar sentimentos como alegria, dor, angústia, raiva e solidão. Diante desse fato, a conscientização sobre guarda responsável é ainda mais relevante.

“A devolução ou simplesmente o abandono causam um desequilíbrio no animal. Ele sente a perda da família e, em alguns casos, acaba ficando sem vontade de se alimentar ou brincar, podendo até ficar doente”, ressalta Marzano.

Para Cristiane, é preciso entender que a senciência é a capacidade que o animal tem de sentir todos os estímulos que estão à sua volta e desencadeiam respostas determinadas.

“A influência da devolução é muito ruim. Um animal adotado que depois é devolvido pode desenvolver agressividade e, futuramente, pode se tornar amedrontado, envolvendo até um quadro depressivo.”

Por isso, o ambiente deve ser muito bem preparado para cada espécie. A casa de quem tem um gato é totalmente diferente daquela de quem tem um cachorro. É muito importante que essa família consulte um profissional e se informe das necessidades desses animais antes de adquiri-los.

Cães e gatos demandam cuidados completamente diferentes e que vão exigir níveis diferentes de atenção. “É possível ter uma família multiespécie, desde que haja manejo específico para o gato e o cachorro, porque vai encadear respostas comportamentais”, afirma Cristiane.

Ela destaca que, hoje, existem muitos animais com problemas de comportamento em decorrência da postura da família.

Nada de passeio em carrinho de bebê
Pixabay

A convivência entre crianças e animais é muito positiva, mas são comuns casos em que há a humanização do pet. Segundo a médica-veterinária Cristiane Pizzutto, não há problema em considerar o animal membro da família. O vínculo entre tutor e pet é muito importante, mas o que não podemos fazer é descaracterizá-los como espécie.

“Sou absolutamente contra o antropomorfismo, que é a pessoa transferir para o animal a figura humana, colocar sapato, levar para passear em carrinho de bebê. O vínculo que considero essencial é a convivência e a interação do tutor com o animal: levar para passear, colocar a comida, cuidar, preparar o ambiente para ele ficar e educar. Cuidar bem é respeitar a espécie, suas necessidades e características”, diz.

Ela lembra que, se o tutor tiver um jardim, por exemplo, deve deixar seu cachorro cavar e enterrar comida, pois isso é parte de seu comportamento natural.

Thomas Marzano também concorda que o carinho gerado entre crianças e animais é comprovadamente favorável. “O animal é um ser dependente e que necessita de carinho e atenção, mas, muitas vezes, observo que esse amor passa dos limites, tornando-se deletério ao animal. Um exemplo disso é transformar cães e gatos em vegetarianos, o que foge da natureza deles e pode causar inúmeras doenças nutricionais. Nunca esqueça que o animal adotado deve ter acompanhamento veterinário, desde o momento da adoção e, pelo menos, uma vez por ano.”

Questionário
Pexels

Perguntas que você deve responder antes de, efetivamente, adotar um pet:

O que espera de um animal?

Dispõe de espaço e ambiente adequados para o animal em sua casa?

Quem cuidará da rotina do pet?

Cabem em seu orçamento os cuidados com alimentação, higiene, visitas ao médico-veterinário, vacinações e medicamentos?

Sabe qual espécie melhor se encaixa em sua rotina?

Tem condições de despender de tempo para interagir, passear e levar ao médico-veterinário?

Caso tenha outro pet em casa, conseguirá manter mais um?

Com informações do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo

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