Pensa em ter um coelho (de verdade) na Páscoa? Veja os cuidados - Pet é pop

Pensa em ter um coelho (de verdade) na Páscoa? Veja os cuidados



No período que antecede a Páscoa não são só os chocolates que cativam as famílias. Os coelhos, considerados fofos, também são cobiçados como presentes, principalmente pelas crianças. Nesse contexto sazonal, esses animais acabam sendo comprados por impulso. Sem uma avaliação prévia das necessidades que a família precisará suprir, a saúde e bem-estar do coelho ficam ameaçados.

Adquirir um animal sem esse planejamento significa percorrer um caminho que vai na contramão do conceito de guarda-responsável, cuja reta final pode ser a de situações difíceis de serem contornadas. No ambiente doméstico, a acomodação inadequada do animal é uma delas.

“Há pessoas que, por não terem se informado a respeito, colocam o coelho em uma gaiola pequena, deixando-o sem condições de bem-estar. Outras, permitem que o animal fique solto pela casa, o que também representa risco, pois ele pode se acidentar roendo fios elétricos, por exemplo”, explica a médica-veterinária Cristina Fotin, que integra a Comissão Técnica de Médicos-veterinários de Animais Selvagens do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

Ela frisa que o primeiro passo para adquirir um animal é pesquisa sobre o espaço que será preciso dispor, quais serão os custos para manter a saúde e o bem-estar, além de avaliar se a rotina da família permite que os cuidados, pensando nos aspectos físico e comportamental, sejam desempenhados.

É importante ainda saber que um coelho em ambiente doméstico vive em média sete anos, podendo chegar a dez anos. E que, durante esse período, o proprietário tem responsabilidade sobre sua vida. Cristina comenta que, em sua atuação profissional, observa que o coelho muitas vezes é a espécie escolhida por ser quieta e pequena.

“Mas é um animal que possui uma urina de odor forte, característica que as pessoas não esperam ter que lidar”, diz a médica-veterinária, referindo-se ao trabalho com a higienização dos ambientes. Ela cita ainda que o comportamento de roer objetos também é enfrentado com dificuldade pelos proprietários.

Órfãos da Páscoa

Pode-se dizer que a pior consequência da compra de coelhos por impulso é o abandono. Embora trate-se de um crime, previsto na Lei Federal nº 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), esse é o fim de diversos coelhos comprados para serem presentes de Páscoa.

Presidente da Comissão Técnica de Médicos Veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP, o médico veterinário Marcello Schiavo Nardi atua na Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre (Depave-3) da Prefeitura de São Paulo. Ele conta que, anualmente, pelo menos um dos coelhos encontrados em áreas verdes públicas da cidade é levado ao seu setor.

“Geralmente eles estão desidratados e muito famintos. Alguns apresentam problemas de pele”, conta Nardi. Por se tratar de uma espécie considerada doméstica, os coelhos são encaminhados para adoção após o tratamento necessário.

A médica-veterinária Cristina Fotin, que integra a Comissão Técnica de Médicos-Veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP, diz que em sua atuação profissional também já se deparou com casos de abandono no período pós-Páscoa.

Ela conta que, além de parques e praças públicas, há incidência de abandono em terrenos privados com desdobramentos ainda mais difíceis. “Embora mais raro, pode haver superpopulações de coelhos, pois são espécies que procriam muito, além de brigas por território que acabam em animais feridos.”

Na opinião de Cristina, não resta dúvidas de que a decisão de ter um coelho, assim como outros animais, deve ser pautada na responsabilidade, no amor e no desejo de cultivar uma amizade com o animal, que é dependente de seu tutor para viver com saúde e bem-estar.

Se você pensou em ter um coelho, veja as orientações da médica-veterinária Cristina Fotin sobre os cuidados básicos que a espécie requer:

 

Alimentação

– Baseada em feno ou capim, para promover um bom desgaste dos dentes (70% da dieta);
– Ração própria para coelhos, cerca de 40 gramas por quilo de peso, ou segundo orientação do médico-veterinário (30 % da dieta);
– Verduras de cor escura à vontade ou segundo orientação médica-veterinária;
– Os dentes apresentam crescimento contínuo durante toda a vida, por isso é necessário oferecer alimentos com fibra mais grossa, para o desgaste adequado (feno e capim);
– Não oferecer mistura de grão porque são pobres em vitaminas e minerais;
– Frutas em pequena quantidade e com baixa frequência, pois podem alterar a digestão e causar diarréia;

Coelhos realizam cecotrofia. Ingerem uma parte especial das fezes, mais úmida, logo de manhã, para reaproveitar os nutrientes dos alimentos.

 

Comportamento e cuidados necessários

– Pode viver em média de seis a dez anos;
– É sociável, silencioso e tem comportamento diurno;
– As fêmeas podem viver juntas se acostumadas desde cedo;
– A castração é aconselhável se o coelho se tornar agressivo. Para as fêmeas, a castração evita doenças do útero e mamas, como tumores e infecções e deve ser realizada a partir dos seis meses de idade. Essa é uma medida importante na prevenção de doenças e na manutenção da saúde.

 

Ambiente e alojamento

– Objetos para roer são boas fontes de distração e ajudam no desgaste dentário. Ex: casca de côco marrom, pedaços de madeira maciça, galhos de árvores frutíferas;
– Os coelhos devem ser mantidos em área ampla, na qual possam se exercitar diariamente. Não devem ser mantidos presos em tempo integral em gaiolas, as quais devem ser utilizadas apenas para manter o animal por curtos períodos. As áreas para exercício devem conter tocas para esconderijo para situações em que o animal possa se sentir ameaçado;
– O piso deve ser de estrado, para evitar contacto direto com fezes ou urina. Colocar no piso um área de papelão ou estrado de plástico para o animal descansar, pois são mais macios que o piso de metal e evitam ferimentos nas patas;
– Coelhos podem se intoxicar facilmente com substâncias inaladas como produtos de limpeza, odor de tinta ou solventes, fumaça, dedetizações, incenso em excesso e aromatizadores de ambiente.

Com informações do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo

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