Cientistas se unem para fazer os cães viverem mais anos. E você vai poder ajudar! - Pet é pop
  • Cientistas se unem para fazer os cães viverem mais anos. E você vai poder ajudar!



    Fazer as necessidades fora do lugar, latir em excesso ou ser agressivos. Entre uma infinidade de virtudes, essas são algumas das poucas atitudes inconvenientes (e tratáveis) que os cães podem apresentar. Há, todavia, uma inconveniência cruel e sem cura: eles vivem pouco.

    Há um cálculo contestado, mas aceito por muita gente, segundo o qual a cada ano humano nossos melhores amigos envelhecem sete. Convivo com Clementina, uma pug que completa 12 anos em setembro e que, por essas contas, chegaria ao seu 84º aniversário! É assustador.

    Para que os donos do futuro não tenham angústia parecida, um grupo de cientistas procuram maneiras de enganar a natureza e impedir que nossos cães envelheçam tão rapidamente.

    Fotos Pixabay

    Com base nos EUA, o projeto Aging Dog é um programa de pesquisa que investiga o envelhecimento do cão e o uso de diferentes produtos farmacêuticos para aumentar sua expectativa de vida.

    E não se trata apenas de nos dar mais tempo com nossos amigos de quatro patas. Espera-se que o projeto também identifique fatores que influenciam o envelhecimento humano – e nos ajude a viver vidas mais longas e saudáveis ​​também.

    Método científico

    Por muito tempo os cientistas tentaram explicar o tempo de vida pelas diferenças nas taxas metabólicas, que controlam o uso de energia e a capacidade de crescimento e reprodução. Animais menores tendem a ter taxas metabólicas mais altas – eles vivem rápido e morrem jovens.

    Mas isso não é verdade para todos os animais. O rato-toupeira, por exemplo, tem em média 13 centímetros de altura e chega a viver até 30 anos. No caso dos cães, acontece algo parecido, com as raças menores tendendo a viver mais do que as maiores.
    Outros pesquisadores têm estudado animais idosos e acham que uma longa expectativa de vida se resume à capacidade de produzir proteínas específicas. Em particular, proteínas que podem proteger o DNA ou reparar danos moleculares.

    Essas proteínas ajudam os animais a lidar melhor com as mudanças biológicas associadas ao envelhecimento. O Aging Dog investiga essas e outras possibilidades.

     

    Como nasceu o projeto?

    No site do Aging Dog, um dos líderes do projeto, o doutor Daniel Promislow, conta como a ideia surgiu:

    “Era 2007. Eu vinha trabalhando na biologia do envelhecimento havia quase 20 anos e, nos últimos 12 anos, eu estava trabalhando em um laboratório de moscas-da-fruta na Universidade da Geórgia (UGA). Um dia, uma edição da revista ‘Science’, apareceu na minha mesa. A capa mostrava um great dane e um chihuahua andando lado a lado. A reportagem era sobre a genética do tamanho, mas imediatamente me levou a pensar se poderíamos descobrir por que cães grandes (como os great danes) tendem a ter vidas mais curtas do que os cães pequenos (como os chihuahuas).

    Falei com a Faculdade de Medicina Veterinária da UGA, e eles me colocaram em contato com a doutora Kate Creevy, uma médica-veterinária em início de carreira. Ficou imediatamente óbvio para nós que havia paralelos entre o envelhecimento humano e o canino. Aproveitando as extensas informações médicas e genéticas disponíveis sobre os cães, começamos nosso primeiro projeto juntos, investigando as causas de morte entre os cães de companhia. Quanto mais descobrimos, mais ficou claro que o estudo do envelhecimento em cães detinha um poderoso potencial para o avanço da medicina veterinária e da biologia básica do envelhecimento.

    Enquanto isso, no outro lado do país, o doutor Matt Kaeberlein estava avançando no entendimento da biologia básica do envelhecimento usando abordagens bioquímicas, genéticas e moleculares na Universidade de Washington. Além de administrar um laboratório atarefado, ele codirigiu o Centro de Excelência na Biologia Básica do Envelhecimento e fundou o Instituto de Pesquisa de Longevidade e Envelhecimento Saudável na UW. Um amante de pets, Kaeberlein também reconheceu o rico potencial do cão companheiro como parceiro na pesquisa do envelhecimento.

    Em 2013, mudei-me para Seattle, tornando-me professor no mesmo departamento do doutor Kaeberlein na Universidade de Washington. Naquele mesmo ano, a doutora Creevy e eu, juntamente com outros cinco colegas, obtivemos uma doação do Instituto Nacional do Envelhecimento para desenvolver o plano de um estudo longitudinal de longo prazo do envelhecimento em cães de companhia. O resultado foi o Consórcio de Longevidade Canina, que organizou três reuniões nacionais entre os especialistas convidados no campo, incluindo Kaeberlein.

    Gradualmente, um plano começou a tomar forma para um estudo observacional dos cães, que incluiria um braço de intervenção projetado para testar os medicamentos previamente investigados em espécies de laboratório. Eles poderiam melhorar a expectativa de vida e o bem-estar dos animais.

    Kaeberlein, Creevy e eu aprofundamos nossa colaboração, construindo e expandindo nossa visão compartilhada de um estudo nacional sobre envelhecimento em cães. Em 2014, fundamos o projeto Aging Dog e começamos a criar uma comunidade de donos de cães interessados ​​em se envolver nesse projeto de ciência cidadã. Em 2015, Kaeberlein lançou o primeiro ensaio clínico do projeto, um estudo para determinar a segurança e viabilidade de testar se a droga rapamicina pode retardar o envelhecimento em cães de estimação.

    Em 2016, Creevy se mudou para a Universidade Texas A & M. Continuamos trabalhando juntos no estudo longitudinal ambicioso do envelhecimento em cães. Eu fiquei como pesquisador principal, Kaeberlein virou codiretor, e Creevy assumiu a direção veterinária. Por fim, montamos uma equipe de 20 colaboradores de nove instituições acadêmicas diferentes em todo o país.

    Em 2018, o projeto recebeu uma subvenção do Instituto Nacional de Envelhecimento, para apoiar um estudo longitudinal de longo prazo com 10 mil cães. E agora estamos prontos para receber nossos participantes.”

    via GIPHY

    Cães que podem participar

    Por enquanto, o levantamento do projeto se limita a animais que vivem nos EUA. Nem territórios americanos, como Porto Rico, podem participar. No futuro, o projeto pretende estudar cães em todas as partes do mundo. Para saber quando isso vai ser possível, basta fazer um cadastro rápido no site do Aging Dogs.

    Após preencher esse cadastro, você será convidado a visitar outro projeto científico, o Arca de Darwin. Ele permite a entrada de cães estrangeiros. Os cientistas dessa iniciativa se ocupam de outro aspecto que pode encurtar a vida dos cães: as doenças.

    Tomara que essas iniciativas descubram soluções e atendam ao pedido dos músicos Curtis Salgado e Alan Hager. No disco que lançaram em 2018, eles gravaram a deliciosa “I Want My Dog to Live Longer (The Greatest Wish)” (“Eu Quero que Meu Cão Viva Mais (O Maior Desejo”). Ouça a canção abaixo e se divirta com as imagens fofas de cães!

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