Cães ajudam veteranos de guerra a controlar o estresse pós-traumático nos EUA - Pet é pop

  • Cães ajudam veteranos de guerra a controlar o estresse pós-traumático nos EUA

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    Apesar de terminar como vencedores na maioria das encrencas em que se metem, os EUA têm de conviver com um efeito colateral indesejado. Além das baixas em confronto, o país tem um elevado percentual de veteranos de guerra que sofrem de estresse pós-traumático.

    Caracterizado pela dificuldade em se recuperar depois de participar ou testemunhar um evento horripilante, o distúrbio vitima de 11% a 20% dos soldados que lutaram no Iraque, 12% dos que batalharam na Guerra do Golfo e 15% dos que lutaram no Vietnã.

    Entre várias terapias para deixar esses homens em paz com o seu passado, vem sendo desenvolvida uma que usa cães. Maggie O’Haire, professora associada de interação homem-animal na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade Purdue (Indiana, EUA), tem liderado pesquisas que revelaram como os cães de serviço podem oferecer benefícios fisiológicos e comportamentais aos veteranos.

    A professora Maggie O’Haire (Universidade Purdue – foto Rebecca Wilcox)

    “Uma coisa comum que ouço de veteranos com cães de serviço é: ‘Eu posso realmente sair de casa agora’’’, diz O’Haire. Segundo ela, finalmente há dados que começam a mostrar como a mudança é real no bem-estar dos ex-combatentes.

    Em 2014, a professora começou a investigar o que ela achava que seria uma extensa pesquisa existente sobre cães de serviço e veteranos. E agora ela esta perto de algo novo. “Queríamos começar fazendo um relatório que detalhava o que a ciência diz. Há longas listas de espera para esses cães e há grandes expectativas para eles, mas a ciência simplesmente não estava lá.”

    A pesquisa inicial de O’Haire focou na correlação positiva entre animais e crianças com autismo. Cerca de quatro anos atrás, ela começou a se concentrar em como os cães de serviço ajudam os veteranos.

    “Nosso objetivo era, e ainda é, fazer uma avaliação rigorosa para ver se realmente faz diferença e como, para que as famílias e o público possam entender o que esperar e, se funcionar, como podemos melhorar”, afirma a professora.

    O’Haire liderou um estudo preliminar que ocorreu entre 2015 e 2016. O trabalho mostrou que os sintomas gerais de estresse pós-traumático eram mais baixos entre os veteranos de guerra com cães de serviço. O estudo piloto foi cofinanciado pelo Human Animal Bond Research Institute e pela Bayer Animal Health. Foram acompanhados 141 veteranos, 76 deles já tinham um cão de serviço e 65 estavam em uma lista de espera para receber um.

    O estudo teve a ajuda da K9 For Warriors, uma organização sem fins lucrativos que oferece cães de serviço para veteranos. A pesquisa constatou evidências científicas dos benefícios para a saúde mental experimentados por veteranos com estresse pós-traumático que têm cães de serviço.

    As descobertas durante o estudo foram além dos benefícios comportamentais e avaliaram os níveis de cortisol, porque é um biomarcador no sistema de resposta ao estresse, diz O’Haire.

    Os veteranos que conviviam com cães de serviço tinham níveis de cortisol que aumentavam mais pela manhã do que aqueles que estavam na lista de espera. Pessoas sem o distúrbio normalmente apresentam níveis crescentes de cortisol pela manhã, como parte de sua resposta ao despertar.

    A pesquisa de O’Haire também revelou que, para os veteranos, ter um cão de serviço também estava associado a menos raiva, menos ansiedade e melhor sono.

    Outra fase do estudo examinou os próprios cães e como eles são incorporados no tratamento de veteranos. Esses dados estão sendo analisados.

    Um ensaio clínico de grande escala do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, liderado por O’Haire, está em andamento há cerca de um ano. Ele consiste em estudar veteranos com e sem cães de serviço durante um longo período de tempo. A professora espera que o estudo revele um melhor entendimento dos processos fisiológicos e comportamentais dos sintomas do distúrbio e dos cães de serviço em geral.

    A ideia de usar cães para aplacar a dor de veteranos tem gerado controvérsia sobre se e como os animais ajudam. A pesquisa de O’Haire está provando que existem, sim, benefícios. E a esperança dela é que a pesquisa em andamento continue a fornecer mais respostas.

    “Não chega a ser uma cura, porque não podemos esperar que um cachorro elimine problema como o estresse pós-traumático e o autismo. Mas, para algumas pessoas, a estratégia está ajudando de uma maneira única. Temos dados que mostram que isso pode fazer a diferença.”

    Veja o vídeo institucional para divulgar a pesquisa da Universidade Purdue:

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